Mindfulness

Mindfulness: o que é e o que ele tem a ver com as crianças?

Em fevereiro deste ano, o governo britânico anunciou a implementação de um amplo estudo sobre o bem-estar de estudantes a partir da prática do mindfulness, que passa a integrar o currículo de pelo menos 370 instituições de ensino. O objetivo desta iniciativa é reduzir os níveis de estresse e ajudar crianças e adolescentes a lidar com sentimentos e desafios.

O mindfulness, ou atenção plena, é um estado que foca no momento presente a fim de perceber pensamentos, sensações corporais e emoções no momento em que ocorrem. Ao estarmos mais conscientes do que desencadeia determinados comportamentos e sentimentos, lidamos melhor com as circunstâncias mais desafiadoras do cotidiano. Evidências científicas de centenas de universidades, incluindo centros dedicados ao estudo da prática na University of Massachusetts Medical School (EUA) e na Universidade de Oxford (Reino Unido), sugerem fortemente que o mindfulness reduz o estresse e ajuda na construção de uma força interior capaz de fazer com que futuros fatores de exaustão tenham menos impacto na felicidade e no bem-estar físico.

Entenda a influência do mindfulness nas crianças

Os programas de mindfulness têm aparecido como uma das ferramentas para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais no ambiente escolar. A meditação e técnicas respiratórias são alguns dos recursos utilizados para ajudar crianças e jovens a aprimorarem a concentração e valores como empatia e compaixão.

Benefícios:

  • Melhora da memória
  • Redução da impulsividade
  • Desenvolvimento de habilidades naturais de resolução de conflitos
  • Redução da ansiedade e estresse

Para as crianças, os efeitos de práticas que estimulam o olhar para dentro, momentos de introspecção e paz, são ainda mais expressivos, pois o cérebro, por estar em formação, é mais receptivo a estímulos. Na prática, isso se reflete em maior socialização, com impacto positivo no relacionamento com pais e colegas, e redução de sentimentos como raiva e tristeza.

“Para nós, o mindfulness, yoga, meditação e outros recursos que promovam o bem-estar estão ligados à sustentabilidade, que nada mais é que o equilíbrio entre os seres, suas relações e o meio em que vivem”, define Ana Célia Campos, diretora pedagógica da Garatuja Educação Infantil.

Na escola, todas as aulas começam com pelo menos cinco minutos de meditação. Atividades de bem-estar, com aulas de yoga, por exemplo, integram o currículo e uma Orientadora Educacional desenvolve vários programas, de acordo com a faixa etária da criança, com o objetivo de despertar o autoconhecimento.

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Prêmio Desafio 2030 Educação Infantil Garatuja – Todo Mundo Muda o Mundo

A Garatuja Educação Infantil foi a vencedora do prêmio Desafio 2030 com o projeto “Todo Mundo Muda o Mundo”. Em parceria com o Instituto Akatu, o Instituto 5 Elementos e a Reconectta, a Virada Sustentável promoveu a premiação com o objetivo de reconhecer o trabalho das instituições de Ensino Básico que desenvolveram projetos transformadores ligados aos 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU.

Você sabe como lidar com uma criança difícil?

Criança difícil: você sabe como lidar?

Muitos pais e mães se queixam que seu filho é difícil, que costuma se comportar de forma inadequada, batendo, tendo acessos de raiva, falando palavrões ou simplesmente desobedecendo.

Claro que nenhuma criança é igual à outra, e não existe receita, mas certamente o caminho para lidar com crianças difíceis passa pela comunicação e pelo afeto.

Algumas crianças manifestam comportamentos difíceis desde pequenininhos: acordando várias vezes à noite, chorando muito, demonstrando braveza quando contrariados.

Muitos pais, por sua vez, não sabendo lidar com os caprichos infantis acabam sendo manipulados, não colocam limites e fazem de tudo para agradar o filho, tornando-o uma criança mimada – o reizinho da casa!

Criança sem rótulos, com limites

Limites claros são muito importantes. São a base principal para desenvolver uma convivência harmoniosa e saudável entre pais e filhos.

Converse com seu filho sobre a importância do cumprimento de regras e façam combinados, assim vão evitar muitos conflitos. Por outro lado, fique atento, pois regras muito rígidas não são saudáveis e podem causar retraimento, raiva, desrespeito e até mesmo rebeldia. Ouça o que seu filho tem a dizer. Diga ao seu filho o que você pensa e espera dele. O diálogo é fundamental!

Educar não é nada fácil e dá trabalho, sobretudo quando vivemos em uma sociedade que estimula tanto a competitividade. A constante comparação que fazemos do nosso filho com o próprio irmão, primo, coleguinha de classe ou vizinho é muito negativa, causa baixa autoestima e pode desenvolver ansiedade. Cada criança é única e diferente das demais. Deve ser respeitada no seu jeito de ser e jamais diminuída, rotulada ou ridicularizada.

Crianças que apresentam problemas de comportamento geralmente tem dificuldades para lidar com as próprias emoções. Ajudar a identificar e nomear os sentimentos é algo que faz com que a criança se sinta amparada e cuidada. Ensinar que cada emoção pode ser transformada em uma palavra é a chave que deve orientar as crianças – primeiro para compreenderem a si mesmas e depois, para entenderem o mundo.

Perceber que todo ser humano sente as mesmas emoções pode trazer um grande alívio, por isso converse com o seu filho contando quando e porquê você sentiu a mesma emoção que ele está sentindo. Conte também o que fez na ocasião para lidar com aquela emoção.

Saber o que fazer com cada emoção é um processo longo e adquirido através das vivências do dia a dia. Por isso não proteja demais o seu filho. Deixe que ele enfrente dificuldades, se decepcione e principalmente que sofra as pequenas frustrações para que aprenda a adiar a satisfação imediata; afinal,  o mundo não será sempre como ele deseja.

A inteligência emocional não é nata, é uma habilidade que se aprende e precisa ser exercitada!

Por Cristina Navarenho Santos Zanetti, Educadora, Psicóloga e Orientadora Educacional nas escolas Builders Educação Bilíngue e Garatuja Educação Infantil

Educação através do amor Garatuja

Educação Através do Amor: conheça essa incrível ideologia

Por Ana Célia A. Mustafa Campos*

Você já ouviu falar da Educação Através do Amor? Ela foi pensada para garantir que o processo de ensino e aprendizagem seja permeado de carinho, atenção e disponibilidade para ouvir o aluno.

A ideologia surgiu há 20 anos, no nascimento de nossa primeira escola, com foco no emocional para a formação do ser humano e uso do conhecimento para o bem comum, e não em benefício próprio.

Como ensinar a Educação Através do Amor?

Ao iniciar o processo de ensinar Através do Amor, os educadores se deparam com a tarefa do autoconhecimento, de estarem conscientes de suas emoções (especialmente as negativas) e limitações. Ao aceitá-las, descobrem a si próprios, se aceitam, mas sem deixar de lado a busca pelo aprimoramento que irá guiar os educandos por um caminho mais suave. 

Quando o educador abraça a causa da Educação Através do Amor, dedica-se aos seus alunos da mesma maneira que se dedica a si próprio. Isso significa que:

  1. Ele busca garantir que sua equipe, parceiros, alunos e pais estejam em concordância com a verdade, a paciência, o gosto por dividir, a alegria por vivenciar momentos que despertarão aprendizados em todos os níveis. 
  2. Alimenta-se bem, exercita-se, cuida da saúde e do espaço que utiliza, está em contato com a natureza e garante que ela se perpetue sem abusar de seus recursos.
  3. Tem a certeza de que seus alunos são capazes e não desiste de nenhum.
  4. Busca não julgar. Quando o faz, tenta sair do estereótipo do “normal” para encarar a situação real e a busca pela melhor possibilidade para cada um. Sustenta seu grupo em uma vibração afetiva e de aceitação.
  5. Encanta-se ao perceber a beleza da diversidade e não tenta enquadrar todos no mesmo modelo. Cada um deve vivenciar as suas próprias experiências para se compreender.

A Educação Através do Amor permite que o educador se encontre, se perceba, melhore suas práticas e aprenda com os alunos, permitindo que eles se conheçam também, façam escolhas adequadas para si e lidem melhor com as necessidades do mundo, tornando-se adultos mais capazes e bem resolvidos emocionalmente.

O maior propósito da Educação Através do Amor é possibilitar que os envolvidos – pais, professores ou funcionários da escola – vivenciem o autoconhecimento e ajudem outras pessoas a se encontrarem e identificarem o seu propósito de vida. 

Fica aqui o meu convite para você conhecer a Educação Através do Amor!

Para mais informações sobre a Educação Através do Amor, clique aqui.

*Ana Célia A.M. Campos é Diretora Pedagógica das escolas Builders Educação Bilíngue e Garatuja Educação Infantil

Alfabetização emocional

Alfabetização emocional: o autoconhecimento começa na infância

Você, como um adulto que é, com certeza sabe identificar e consequentemente consegue lidar de maneira positiva com seus sentimentos. Será mesmo? E quando começa essa empreitada pelo “autoconhecimento”? Como podemos, na posição de professor, colaborar para isso?

De acordo com Daniel Goleman, psicólogo e PhD da Universidade de Harvard, a inteligência emocional é a responsável por permitir que o indivíduo consiga se compreender e assim entender o outro, possibilitando com isso, uma autogestão e maior realização em suas relações interpessoais, e obviamente, intrapessoal também.

Pensando sobre isso, resolvi escrever minha opinião em relação ao tema e apontar exemplos da minha prática pedagógica. Como professora de Educação Infantil há 10 anos, já refleti muito sobre estratégias de como colaborar para que minhas crianças possam expressar oralmente seus sentimentos sem muitas vezes agir pelos impulsos, porém cabe aqui lembrar o quanto esses “impulsos” são “normais” nessa idade, até um determinado limite, como tudo.

Se existe alfabetização sobre o Sistema e Escrita e os conhecimentos sobre matemática por exemplo, tão valorizados no ensino formal, por que alguns professores não se preocupam com a “alfabetização” das emoções? Pois ninguém nasce sabendo como agir em uma situação que lhe desagrada ou até mesmo como identificar um sentimento desses em si. Conhecer-se é a chave para a auto-realização e é um direito de toda criança ser feliz e realizada. E a escola cabe muito bem nesse contexto, pois todo indivíduo passa longos anos nesse ambiente e por isso também é de responsabilidade nossa, os educadores, sua formação emocional.

Mas para que a criança possa expressar-se, ela precisa antes de tudo saber que existem comportamentos “socialmente aceitáveis” e principalmente, ela necessita de intervenções para poder então qualificar seus sentimentos, e para tal, precisa identificar o que está passando pela sua cabeça e pelo seu coração.

Para colaborar com o desenvolvimento emocional das minhas crianças, criei o que chamo de “Roda dos Sentimentos”. Toda sexta-feira meus alunos de quatro anos sentam-se comigo em roda e ao centro dela coloco imagens de crianças com várias expressões faciais delas sorrindo, chorando, felizes, tristes, entediadas, bravas, pensativas e gargalhando.

No começo foi preciso conversar sobre quais situações nos deixam assim e se realmente ao ficarmos tristes, por exemplo, choramos, pois muitas vezes estamos chateados mas não choramos, ou choramos de felicidade. Essa reflexão foi fundamental para esclarecer várias dúvidas e tabus que as crianças têm.

Durante a roda, as crianças são convidadas a escolher uma expressão facial que demonstre algo que sentiu naquela semana na escola, que queira compartilhar. Ao falar, a criança vai se ouvindo e seus sentimentos vão ficando mais claros à medida que os amigos ganham abertura para ir colaborando com suas opiniões, conselhos e vivências. Essa troca é extremamente importante para desenvolverem uma escuta sensível e empatia pelo amigo, além de colaborar para que a criança identifique e nomeie o sentimento envolvido no que acabou de relatar.

Nesse momento, além de escutar atentamente tudo que minhas crianças falam, procuro lhes encorajar a gerenciar suas emoções, e assim, pensar antes de agir, aceitar as frustrações, conseguir lidar com alguma tristeza, enfrentar desafios e se perceber como uma pessoa que possui sentimentos distintos.

Cabe ao adulto iniciar nomeando seus sentimentos perante os pequenos sem subestimar a potência de que toda criança é dotada. Saber falar de sentimentos não é fácil. Entender sentimentos também não.

Que possamos, como educadores, entender que a alfabetização emocional colabora para a formação de seres mais autônomos e capazes de compor uma sociedade mais justa e coerente, pois é uma maneira de ensinar e educar nossas crianças a se relacionar de uma forma mais saudável consigo mesmas e com os outros.

Sejamos exemplos, bons exemplos de como nomear e identificar o que sentimos, falando, demonstrando e nos auto empoderando do que é nosso: nossos pensamentos e sentimentos.

Por Caroline Ciaramicoli.