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Por que as histórias são tão importantes para as crianças?

A contação de histórias é um mecanismo muito importante para que tenhamos, desde cedo, contato com diversas linguagens e formas de narrar um acontecimento, e a infância é a fase ideal para despertar esse interesse.

As histórias infantis levam as crianças para um mundo imaginário e simbólico, com o qual fazem associações com suas próprias vivências. Esse processo de identificação permite que criem meios de lidar com suas dificuldades, sentimentos e emoções e estimula a memória, já que resgata as experiências de cada um.

Os benefícios de ingressar nesse universo rico e mágico não param por aí. Por meio da contação de histórias, as crianças ampliam a linguagem oral e desenvolvem competências linguísticas e o letramento, que é o uso competente da leitura e escrita nas práticas sociais.

Tudo começa com o livro

De acordo com as coordenadoras pedagógicas Marieta Lefèvre e Karina Yada, das escolas Builders Educação Bilíngue e Garatuja Educação Infantil, é fundamental para qualquer criança ouvir histórias. “Pelo livro, aprendemos a importância de ouvir, contar e recontar”, explica Marieta. “Aqui na Builders, apresentamos histórias quase que diariamente em projetos de Cultura Brasileira e em inglês, ampliando assim o vocabuláriho nos dois idiomas”, completa.

Builders e Garatuja mantêm uma biblioteca circulante: os alunos levam livros à escola e estes irão circular semanalmente nas casas dos colegas para serem lidos pelas famílias. Quando retornam, as professoras conduzem rodas para troca de informações e livros. “São momentos muito inspiradores, pois estimulam conversas e situações problema para os alunos pensarem coletivamente”, explica Karina Yada.

Além disso, as duas escolas, que seguem a mesma proposta pedagógica, implementaram o “Storytellers”, programa em que as famílias participam das aulas por meio da contação de histórias. “A experiência tem sido fantástica em todos os sentidos. Cada família traz uma vivência e dinâmica diferentes, como a leitura de um livro, uma história cantada, a encenação de um conto ou até mesmo projeções como recurso para a contação, sem falar na incrível atmosfera criada com a presença da família na escola”, finaliza Karina.

Histórias em família

Por sinal, os pais são grandes incentivadores na formação dos hábitos na criança, e com a leitura não é diferente. Quem ouve histórias desde bebês e mantém o hábito de ler com a família desenvolve o senso crítico e alimenta a curiosidade em relação ao que vê no seu dia a dia. A influência em casa passa tanto pelas imagens que as crianças formam ao perceberem o hábito de leitura dos pais, quanto pela ação deles de conversar com elas sobre os livros.

Não é preciso estabelecer um padrão na hora de escolher a história, mas é preciso levar em consideração, por exemplo, a idade da criança. Durante os dois primeiros anos de vida, a atenção dos pequenos é conquistada pelas figuras. À medida que crescem, é possível combinar ilustrações a enredos simples, permitindo a criação de uma narrativa, em qualquer gênero literário.

Outro recurso é a criação de histórias, trazendo a narrativa para o mundo particular em que a criança vive. Se a imaginação falhar na hora da contação, os pais podem começar a elaborar tramas sobre a própria infância. Já, quando é a criança que vai criar a história, objetos e bonecos podem ajudar.

E então, que tal buscar agora alguma referência de leitura ou contação de história para compartilhar em família?

Autoconhecimento para crianças

Autoconhecimento: por que ensiná-lo às crianças?

Autoconhecimento estimula o olhar para dentro e é uma bela aula sobre nós mesmos. Aprender desde cedo a identificar nossos sentimentos, quais estímulos os despertam e como lidamos com eles nos permite crescer com mais sabedoria e equilíbrio.

Uma manhã ensolarada desponta. As crianças acabam de chegar na escola e se reúnem na sala para mais um dia de aula. A professora pede que todos se sentem em uma posição confortável, com as costas eretas, fechem os olhos e estejam atentos ao ritmo da respiração. Está começando uma sessão de meditação, momento de pausa para equilibrar as emoções.

Ao ser incorporada à rotina de qualquer ser humano, independente da idade, a meditação melhora a concentração, memória e qualidade do sono, aguça a percepção dos sentimentos, aumenta a autoestima e o controle emocional, sem falar na agradável sensação de relaxamento. Para as crianças, os efeitos são ainda mais expressivos, pois o cérebro, por estar em formação, é mais receptivo a estímulos. Na prática, isso se reflete em maior socialização, com impactos positivos no relacionamento com pais e colegas, e redução de sentimentos como raiva e tristeza.

Ciranda de emoções

Pega-pega, corre cutia, amarelinha, dança da cadeira, estátua, morto vivo. O que essas brincadeiras têm em comum? Alguém poderia dizer que colocam as crianças para correr. Outro, que ninguém mais lembra delas, pois fazem parte de um repertório infantil que não existe mais. Para a Academia Americana de Pediatria, elas são o remédio para o desenvolvimento mental e social, pois estimulam a linguagem, o relacionamento e a capacidade de resolução de problemas.

Um exemplo? Que tal brincar de faz de conta? A imaginação é estimulada, personagens são criados, sejam nas suas concepções psicológicas ou físicas. Ao criar histórias e enredos, as crianças exercitam sua capacidade de planejamento e resolução de problemas.

E os jogos eletrônicos, onde ficam? Os coletivos estimulam a inteligência emocional e ensinam lições, como aprender a ganhar e perder. Mas é muito comum vermos crianças e adolescentes (e adultos) isolados, com os rostos fixos em seus tablets ou smartphones, tendo como única interação a tela do aparelho, o que pode impactar a maneira como se relacionam e enxergam as adversidades da vida. É nesse sentido que as brincadeiras livres se diferenciam ao promover a conexão entre as crianças e ao estimular uma região do cérebro ligado à sensação de bem-estar e prazer, o que é um valioso antídoto anti-estresse. “Nosso cotidiano está bombardeado de informações e estímulos momentâneos, sendo a maioria no campo digital. Imagine ser uma criança ou adolescente nesse contexto”, pondera Ana Célia Mustafá Campos, diretora pedagógica das escolas Garatuja Educação Infantil e Builders Educação Bilíngue. “O equilíbrio é a chave. Como pais e mães, devemos estimular em nossos filhos a conectividade como um recurso importante, mas sem deixar de lado a mágica das brincadeiras, de pular, correr, estar em contato com a natureza e com amigos. Isso é essencial para a formação dos valores e visão de vida das crianças”, conclui.

De frente para o problema

A hora do almoço está quase no fim. Em uma das mesas do refeitório, uma aluna conversa com o último pedaço da maçã que resta. Para justificar a demora em se alimentar, ela diz “Os adultos sempre brincam antes de comer.” E como ela sabe disso? “Eu sei de tudo. Eu sei tudo sobre minha mãe, mas ela não sabe tudo sobre mim.”

Essa frase pode ter diferentes interpretações. Mas um fato é que nós, adultos, muitas vezes menosprezamos a capacidade de compreensão das crianças e evitamos falar sobre os sentimentos, quando deveríamos fazer justamente o oposto.

“Ensinar que cada emoção pode ser transformada em uma palavra é a chave que deve orientar uma criança, primeiro para compreender a si mesma e depois para entender o mundo”, explica Cristina Zanetti, orientadora educacional. “Crianças que apresentam problemas de comportamento geralmente têm dificuldades para lidar com as próprias emoções. Ajudar a identificar e nomear os sentimentos é algo que faz com que elas se sintam amparadas e cuidadas”, completa.

Saber o que fazer com cada emoção é um processo longo e adquirido por meio das vivências do dia a dia. A superproteção é um problema, pois não permite que a criança enfrente dificuldades, se decepcione e sofra as pequenas frustrações. Afinal, isso é a vida e precisamos do autoconhecimento para encará-la de frente!

O autoconhecimento para a vida

O que a meditação, o yoga, as brincadeiras livres e a boa conversa sobre sentimentos nos ensinam? Que ao estimular o olhar para dentro, os momentos de introspecção e paz, na mesma medida que adicionamos mais diversão e conexão com o outro na vida das crianças, permitimos que elas se enxerguem em suas fortalezas e fraquezas. Que aprendam com os altos e baixos com mais serenidade. Que vejam a si e aos outros com mais paciência e amor. Pensando bem, essas lições se aplicam aos adultos também, não é mesmo?

Adaptação à escola

Como lidar com a adaptação da criança à escola?

A entrada da criança pequena na escola é um momento muito especial. Um mundo de possibilidades se abre: novos espaços, relações, brinquedos, aventuras, histórias e atividades. Mas a vinda para a escola também representa uma primeira grande mudança na rotina familiar. Por isso, é preciso tempo e tranquilidade para que pais e crianças se sintam bem na nova rotina.

Para os responsáveis pela criança, a recomendação é que mantenham uma atitude positiva, segura e confiante. Mas o que isso significa na prática?

Tanta novidade representa para todos – especialmente para os pequenos – a entrada em um “universo desconhecido”, e cada criança tem sua forma e tempo para lidar com a situação. Para se ter uma ideia, um aluno pequeno pode levar de uma semana a meses para se adaptar, não há um padrão. Logo, a primeira recomendação às famílias é que aceitem as reações da criança com naturalidade, evitando cobrar qualquer tipo de comportamento e comparações com outros alunos ou filhos.

Rotina e choro

É necessário também atenção à rotina. Como a entrada na escola em si já representa uma ruptura, o ideal é que outros aspectos do cotidiano da criança não sejam alterados: horários, babá, fralda ou chupeta, por exemplo.

E como lidar com o choro? É fundamental não deixar-se abater por essa reação, que é comum nessa fase de mudança. O choro pode ter vários significados: insegurança, medo, frustração e até irritação. Como parte do seu desenvolvimento, a criança precisa aprender a lidar com essas emoções. Então, quando o choro aparecer, o melhor a fazer é reforçar que a escola é importante. Mostre empatia, diga à criança que entende sua emoção, mas que ela vai conseguir superar. Nessa hora, é preciso firmeza.

Parceria escola e família

Por fim, a observação deve ser diária. Família e escola devem atuar juntas para diminuir o estresse da criança, e atitudes acolhedoras de professores e assistentes trazem conforto. Passar menos tempo na escola e ir aumentando o período de aula gradativamente também ajuda a aliviar o estresse.

Na Garatuja, na primeira semana de aula, o responsável pela criança (de 1 a 3 anos de idade) permanece no mesmo ambiente que ela por duas horas diárias, nos dois primeiros dias de aula. A partir do terceiro dia, o responsável já pode se afastar à medida que o aluno se sente seguro. A recomendação é que o  responsável respeite os movimentos da criança, sem forçá-la a nada, e o afastamento é trabalhado de forma gradual.

Alimentação na infância

Alimentação na infância: quais os cuidados e por que famílias e escolas devem estar juntas?

A fase pré-escolar, que vai dos dois aos seis anos de idade, é considerada de extrema importância para a saúde. É nela que a criança passa a formar hábitos e comportamentos alimentares para toda a vida.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, há mais de 40 milhões de crianças obesas com até 5 anos em todo o mundo, e a falta de informação e os maus hábitos estão entre as principais causas.

Nessa etapa de vida, família e escola são os principais modelos para os pequenos. A família é o primeiro núcleo de integração social e exerce forte influência na alimentação infantil, enquanto que a escola é o primeiro contato da criança com refeições fora de casa.

Uma alimentação ideal garante um bom rendimento de aprendizagem durante as aulas. Quando se alimenta bem, a criança tem mais facilidade de aprender e de se concentrar, ficando bem disposta para as atividades.

O papel das famílias e da escola

A escola deve promover a saúde com refeições equilibradas e saudáveis, sempre de acordo com as necessidades nutricionais de cada aluno e faixa etária. Deve também implementar estratégias que promovem a boa alimentação, como a inclusão de conteúdos de nutrição no currículo escolar e na formação dos educadores e o contato das crianças com os alimentos por meio de dinâmicas e cultivo de hortas, fazendo com que se familiarizem com os alimentos e tenham vontade de experimentá-los.

“A educação alimentar dos alunos é muito importante. Uma alimentação equilibrada é essencial para garantir boas condições nutricionais, que muito além de trazer saúde, irão promover o aprendizado, otimizando o desempenho escolar”, informa Karina Yada, coordenadora pedagógica da Garatuja Educação Infantil. “Toda a equipe pedagógica deve ser inserida nesse processo, desenvolvendo projetos e estratégias com o objetivo de estimular as crianças a provar novos alimentos”, finaliza.

Em casa, é necessária uma continuidade ao trabalho de conscientização e educação feito na escola. A recomendação é:

  • O consumo de alimentos saudáveis, dando preferência aos in natura, como frutas, verduras e legumes.
  • Redução do consumo de alimentos ultraprocessados, que passam por técnicas e processamentos com alta quantidade de sal, açúcar, gorduras, realçadores de sabor e texturizantes. Exemplos: enlatados, embutidos, preparações instantâneas, refrigerantes, salgadinhos, sorvetes, biscoitos recheados.


Você sabe como lidar com uma criança difícil?

Criança difícil: você sabe como lidar?

Muitos pais e mães se queixam que seu filho é difícil, que costuma se comportar de forma inadequada, batendo, tendo acessos de raiva, falando palavrões ou simplesmente desobedecendo.

Claro que nenhuma criança é igual à outra, e não existe receita, mas certamente o caminho para lidar com crianças difíceis passa pela comunicação e pelo afeto.

Algumas crianças manifestam comportamentos difíceis desde pequenininhos: acordando várias vezes à noite, chorando muito, demonstrando braveza quando contrariados.

Muitos pais, por sua vez, não sabendo lidar com os caprichos infantis acabam sendo manipulados, não colocam limites e fazem de tudo para agradar o filho, tornando-o uma criança mimada – o reizinho da casa!

Criança sem rótulos, com limites

Limites claros são muito importantes. São a base principal para desenvolver uma convivência harmoniosa e saudável entre pais e filhos.

Converse com seu filho sobre a importância do cumprimento de regras e façam combinados, assim vão evitar muitos conflitos. Por outro lado, fique atento, pois regras muito rígidas não são saudáveis e podem causar retraimento, raiva, desrespeito e até mesmo rebeldia. Ouça o que seu filho tem a dizer. Diga ao seu filho o que você pensa e espera dele. O diálogo é fundamental!

Educar não é nada fácil e dá trabalho, sobretudo quando vivemos em uma sociedade que estimula tanto a competitividade. A constante comparação que fazemos do nosso filho com o próprio irmão, primo, coleguinha de classe ou vizinho é muito negativa, causa baixa autoestima e pode desenvolver ansiedade. Cada criança é única e diferente das demais. Deve ser respeitada no seu jeito de ser e jamais diminuída, rotulada ou ridicularizada.

Crianças que apresentam problemas de comportamento geralmente tem dificuldades para lidar com as próprias emoções. Ajudar a identificar e nomear os sentimentos é algo que faz com que a criança se sinta amparada e cuidada. Ensinar que cada emoção pode ser transformada em uma palavra é a chave que deve orientar as crianças – primeiro para compreenderem a si mesmas e depois, para entenderem o mundo.

Perceber que todo ser humano sente as mesmas emoções pode trazer um grande alívio, por isso converse com o seu filho contando quando e porquê você sentiu a mesma emoção que ele está sentindo. Conte também o que fez na ocasião para lidar com aquela emoção.

Saber o que fazer com cada emoção é um processo longo e adquirido através das vivências do dia a dia. Por isso não proteja demais o seu filho. Deixe que ele enfrente dificuldades, se decepcione e principalmente que sofra as pequenas frustrações para que aprenda a adiar a satisfação imediata; afinal,  o mundo não será sempre como ele deseja.

A inteligência emocional não é nata, é uma habilidade que se aprende e precisa ser exercitada!

Por Cristina Navarenho Santos Zanetti, Educadora, Psicóloga e Orientadora Educacional nas escolas Builders Educação Bilíngue e Garatuja Educação Infantil

Educação através do amor Garatuja

Educação Através do Amor: conheça essa incrível ideologia

Por Ana Célia A. Mustafa Campos*

Você já ouviu falar da Educação Através do Amor? Ela foi pensada para garantir que o processo de ensino e aprendizagem seja permeado de carinho, atenção e disponibilidade para ouvir o aluno.

A ideologia surgiu há 20 anos, no nascimento de nossa primeira escola, com foco no emocional para a formação do ser humano e uso do conhecimento para o bem comum, e não em benefício próprio.

Como ensinar a Educação Através do Amor?

Ao iniciar o processo de ensinar Através do Amor, os educadores se deparam com a tarefa do autoconhecimento, de estarem conscientes de suas emoções (especialmente as negativas) e limitações. Ao aceitá-las, descobrem a si próprios, se aceitam, mas sem deixar de lado a busca pelo aprimoramento que irá guiar os educandos por um caminho mais suave. 

Quando o educador abraça a causa da Educação Através do Amor, dedica-se aos seus alunos da mesma maneira que se dedica a si próprio. Isso significa que:

  1. Ele busca garantir que sua equipe, parceiros, alunos e pais estejam em concordância com a verdade, a paciência, o gosto por dividir, a alegria por vivenciar momentos que despertarão aprendizados em todos os níveis. 
  2. Alimenta-se bem, exercita-se, cuida da saúde e do espaço que utiliza, está em contato com a natureza e garante que ela se perpetue sem abusar de seus recursos.
  3. Tem a certeza de que seus alunos são capazes e não desiste de nenhum.
  4. Busca não julgar. Quando o faz, tenta sair do estereótipo do “normal” para encarar a situação real e a busca pela melhor possibilidade para cada um. Sustenta seu grupo em uma vibração afetiva e de aceitação.
  5. Encanta-se ao perceber a beleza da diversidade e não tenta enquadrar todos no mesmo modelo. Cada um deve vivenciar as suas próprias experiências para se compreender.

A Educação Através do Amor permite que o educador se encontre, se perceba, melhore suas práticas e aprenda com os alunos, permitindo que eles se conheçam também, façam escolhas adequadas para si e lidem melhor com as necessidades do mundo, tornando-se adultos mais capazes e bem resolvidos emocionalmente.

O maior propósito da Educação Através do Amor é possibilitar que os envolvidos – pais, professores ou funcionários da escola – vivenciem o autoconhecimento e ajudem outras pessoas a se encontrarem e identificarem o seu propósito de vida. 

Fica aqui o meu convite para você conhecer a Educação Através do Amor!

Para mais informações sobre a Educação Através do Amor, clique aqui.

*Ana Célia A.M. Campos é Diretora Pedagógica das escolas Builders Educação Bilíngue e Garatuja Educação Infantil

Equipe BG 2018

Como gerir uma escola?

* Por Ana Paula A. Mustafá Mariutti

Assim como muitas empreendimentos educacionais de gestão familiar, a história da Builders Educação Bilíngue e da Garatuja Educação Infantil (BG) não foi diferente. Eu e minhas duas irmãs, todas formadas em Pedagogia, iniciamos um negócio que começou pequeno, em que inicialmente dávamos aulas e fazíamos todo o resto do trabalho. Isso demandou formação contínua de nossa parte para que, com o crescimento no número de alunos, deixássemos de ser professoras para gerir o que se tornou um negócio com um lindo propósito e que desejamos que se mantenha sustentável por muitas gerações.

Da esquerda para a direita: as fundadoras da BG Ana Célia M. Campos (Diretora Pedagógica), Ana Lúcia A. Mustafá Nunes (Diretora Financeira) e Ana Paula A. Mustafá Mariutti (Diretora Administrativa)

Sempre nos cercamos de assessores para nos ajudar nas expertises que não tínhamos, especialmente nas áreas financeira e administrativa. E o que aprendemos? Que ferramentas de gestão, aplicadas em empresas de diferentes segmentos, mas pouco comuns na área de educação no Brasil, são essenciais para garantir a saúde de um negócio em todos os aspectos. E assim seguimos com a implementação de um plano estruturado, totalmente inovador para o segmento, que permitiu profissionalizar a administração das escolas, mas sem perder nossa ideologia, a Educação através do Amor, e o cuidado com pessoas, características que sempre nos destacaram.


O passo a passo para a gestão escolar


O processo de profissionalização das escolas foi gradual, seguindo um plano com metas de curto, médio e longo prazo, e que atualmente compõe um cenário bem estruturado, com líderes preparados para a gestão de seus colaboradores e equipes bem alinhadas.

Mas, afinal, de quais recursos dispomos hoje? Alguns exemplos são:

  • Descrição de cargos;
  • Workshops semestrais com colaboradores para reforço da ideologia das escolas;
  • Manuais de áreas com procedimentos específicos de cada função;
  • Manuais de colaboradores e pais com as principais normas da escola;
  • Processos e fluxogramas multifuncionais;
  • Política de Segurança da Informação;
  • Registro das atas de reunião com acompanhamento de pendências;
  • Planilha de gestão de tempo para definição de prioridades;
  • Esquema de trabalho baseado em reuniões de alinhamento, definição de tarefas e responsáveis, gestão por competências e feedback contínuo para avaliação dos resultados.
  • Processo de feedback estruturado envolvendo avaliação 360º e avaliações individuais.

Acreditamos que estas ações foram chave para o sucesso e longevidade das nossas escolas. O objetivo sempre foi manter negócios sustentáveis, o que significa que as melhorias e a busca por processos, sistemas e técnicas de gestão inovadoras estão no DNA da BG, garantindo que as futuras gerações possam continuar contando com a mesma qualidade de serviço que prestávamos quando abrimos as escolas e atuávamos como professoras em sala de aula.

* Ana Paula A. Mustafá Mariutti é diretora administrativa da Builders Educação Bilíngue e da Garatuja Educação Infantil

Linguagem escrita G4

Escrita: como estabelecer uma função social na infância?

*Por Caroline Ciaramicoli

Por que escrevemos? Pode ser para lembrar de algo, comunicar, decidir. São situações que integram a rotina de quase todos nós, e que com as crianças não são diferentes. No entanto na Educação Infantil, muitos professores, na intenção de familiarizar os alunos com a estrutura e função da linguagem escrita, acabam antecipando conhecimentos sem explorar muitas vezes a intenção das atividades.

As crianças aprendem a escrever por imersão em um ambiente alfabetizador que as incentive e desafie. É necessário ensinar situações que fazem sentido, tornando a aprendizagem mais consistente.

Em uma atividade que desenvolvi com meus alunos de quatro anos, fizemos uma lista das brincadeiras preferidas na quadra. Sendo eu a escriba, logo selecionei duas e anotei seus nomes em tarjas separadas para que as crianças as identificassem, acionando conhecimentos já adquiridos. Assim, de forma lúdica, elas puderam refletir, antes de brincar, sobre a escrita das palavras expostas nas tarjas, suas semelhanças e diferenças, a ordem que usamos para escrever (da esquerda para a direita), a estrutura de uma lista e as letras que aparecem em seus nomes.

Em casa, também é possível estabelecer essas conexões em situações cotidianas significativas, mas que respeitam a essência brincante da criança. Quer saber como?

Dicas para incorporar a escrita no cotidiano das crianças

Uma ação corriqueira em família é a ida ao mercado. Por que não estimular a criança a fazer uma lista como mecanismo para ajudá-la a lembrar das coisas que precisa comprar?

O contato delas com a escrita também pode vir dos livros. Anote as ideias que elas fazem sobre a leitura antes de iniciá-la. Isso serve como um registro.

Você também pode pedir para elas irem até a cozinha fazer um cardápio ou anotar uma receita; elaborar um convite ou ainda registrar seus nomes nos pertences pessoais.

Esses exemplos do uso social da escrita permitem que a criança aprenda a sua função a partir de variados gêneros textuais. Ela vivencia as diferentes maneiras de comunicação: o registro de nomes e materiais em sala para organização; listas e agendas como lembretes e até a leitura por lazer.

Devemos sempre lembrar que a escrita deve estar presente na Educação Infantil de maneira indissociável dos seus pilares, que são as interações e brincadeiras, porém, de forma relevante e com sentido para a faixa-etária.

*Caroline Ciaramicoli é professora da Garatuja Educação Infantil.

Com os olhos vedados, as crianças usam o tato para reconhecer o colega e perceber que as diferenças somam, e não separam

Diferenças: até minhas mãos são diferentes!

Por Caroline Ciaramicoli*

De acordo com o “Dicionário Aurélio”, a palavra “diferente” possui alguns significados, dentre eles, “adjetivo de dois gêneros que difere parcial ou totalmente; que não é semelhante, igual ou idêntico; distinto”.

Será que o preconceito com tudo o que é “diferente” estaria ligado à morfologia da palavra ou será que apenas falta uma análise da sintaxe para compreender uma relação lógica das palavras entre si?

Bem, longe de ter que recorrer mais à gramática e ao latim para destrinchar o significado dessa palavra, quis apenas mostrar como é importante averiguarmos e refletirmos sobre o que andamos falando por aí e, para isso, não precisamos ser experts em língua portuguesa, certo?

No universo infantil, a existência da gramática e do uso convencional da escrita são praticamente desconhecidos. Então, como ensinar as crianças a respeitar as diferenças entre as pessoas?

O caminho está no respeito

Diferenças. Essa palavra soa algo “diferente” para você? Não sei sua resposta, mas já antecipo que não deveria. Afinal, suas mãos são iguais? Convidando você a refletir sobre esse simples fato, comunico que não há o que incluir quando o próprio fato de ter que “respeitar o diferente” já nos remete a ideia de que há algo a ser aceito. E por que deveria haver, quando no entanto somos seres dotados de diferenças e isso é o que nos distingue?

Compreender que as pessoas são sim diferentes porque são únicas e que isso é algo bom, ter uma visão positiva de si mesmo, respeitar opiniões diferentes, gostos distintos dos nossos e saber lidar com uma resposta inusitada são premissas que trabalho desde a Educação Infantil para que isso se propague para a vida adulta.

Mas para que essa naturalidade, clareza e simplicidade de ver as tais diferenças seja algo espontâneo e enraizado na essência de cada criança, costumo valorizar atitudes infantis para ressaltar esse convívio de respeito. Como? No dia a dia! Entender que o colega prefere brincar de algo “diferente”, respeitar a opinião do amigo na roda, valorizar o desenho do outro, os variados gostos de estilo musical e alimentares, as diferenças culturais, enfim, tudo o que se difere do “eu” são movimentos que acompanham a rotina das crianças na escola onde atuo, a Garatuja.

Se todos nós entendêssemos a verdadeira essência de ser “diferente”, não precisaríamos ensinar as crianças a respeitar as diferenças porque isso nos coloca em uma posição de que há um grupo de semelhantes e que outros estão fora disso, mas sim compreender que todos nós somos diferentes e fazemos parte de uma grande e diferente sociedade.

*Caroline Ciaramicoli é professora da Garatuja Educação Infantil

Crianças e higiene pessoal: o que você precisa saber

Por Caroline Ciaramicoli*

“Já acabeeeeei, vem me limpar!”

Aos gritos, Ana Luiza, 4  anos, me avisa que já “acabou”. Ela foi ao sanitário da escola, onde estamos agora (ela como aluna e eu como professora). Ao gritar que “já acabou” ela espera que eu vá limpá-la. Será mesmo?

Situações como essa fazem parte do trabalho do professor de Educação Infantil. Mas, afinal, quem deve limpar: o professor ou a criança? Depende. E como se faz isso? Depende. Qual a melhor idade para a criança começar a “se responsabilizar pelas consequências de seus atos” no banheiro, por sua higiene pessoal? Depende.

Tudo depende de cada criança, de sua idade, desenvolvimento potencial e real, de seu histórico e de como aprendeu esses cuidados no ambiente familiar. Então, por onde começar? Além da observação e escuta atentas, acredito que o ideal é estabelecer um diálogo honesto para ensinar a criança como fazer a limpeza das suas necessidades básicas.

Como estabelecer diálogo para ensinar uma criança?

Pensando nesse tema, optei por propor a minha turma uma atividade que atraísse a curiosidade dos pequenos, ao mesmo tempo que lhes ensinasse o respeito e amor próprio, sentimentos necessários para a formação da autoestima de qualquer criança.

Minha turma é composta por crianças ativas e alegres de 4 anos que são cheias de atitudes e curiosidades, mas com as singularidades inerentes a cada indivíduo. Tendo isso em mente, apresentei em roda uma boneca e um boneco, que foram carinhosamente nomeados “Mariana” e “Pedro”.

Disse que “Mari” e “Pedro” vieram à escola para uma conversa sobre “Higiene Pessoal”. “Mas o que significa isso, crianças?” As respostas foram as mais variadas possíveis. Falaram que higiene pessoal tem a ver com a limpeza dos lençóis da cama, da mesa e de esponjas coloridas. Até que Felipe, 4 anos, trouxe a questão à tona: “Higiene pessoal é escovar os dentes e passar sabonete no corpo”. Todas as crianças concordaram e emendaram: “Também é tomar banho e pintar as unhas”.

Professora Caroline e seus alunos na atividade com os bonecos “Mari” e “Pedro”

“Mas crianças, o que faço no banheiro que tem a ver com minha higiene pessoal além do banho que vocês mencionaram?”. E as respostas vieram em forma de coro: “limpar o xixi e o cocô, Carol!”. Logo respondi: “Ahhh, entendi, muito bem!! E é por isso que a “Mari” e o “Pedro” estão aqui hoje”.

Os bonecos serviram como um meio pelo qual pude responder as dúvidas das crianças de forma lúdica. Consegui me aproximar mais delas, adentrando o universo infantil.

Após a roda de conversa e meus exemplos, foi a vez das crianças colocarem em prática o que aprenderam. A proposta foi pegar o papel higiênico da forma adequada e limpar o bumbum da Mari. Afinal, ela está passando pelo mesmo processo de aprendizado que eles e precisa de ajuda, e quem não precisa?

A reflexão que fica é que, como adultos, devemos agir como facilitadores na construção do protagonismo da criança no seu cuidado com o corpo. Uma relação baseada no diálogo, com um olhar e escuta sensíveis às suas necessidades, estimula a autonomia e autoestima.

*Caroline Ciaramicoli é professora da Garatuja Educação Infantil