2019-06-26

Socioemocional nas escolas: agora é lei!

Até 2020, todas as escolas brasileiras deverão incluir em seus currículos as habilidades socioemocionais, seguindo as novas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento oficial que orienta os currículos das escolas do Brasil (rede pública e privada).

Do ponto de vista educacional, as competências socioemocionais ajudam os alunos a lidar com os desafios e situações cotidianas. É um tipo de abordagem que promove o pensamento autônomo e suas potencialidades por meio do desenvolvimento do autoconhecimento, autocontrole e consciência social.

Resultados baseados em pesquisas

As habilidades socioemocionais ganharam reconhecimento nos últimos anos devido à percepção de que, quando os alunos aprendem a administrar as próprias emoções, é possível notar um impacto positivo na maneira como absorvem o conteúdo.

Recente estudo realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com 9.608 alunos, de 10 a 17 anos de idade, analisou os níveis de autocontrole, empatia, autoconhecimento e habilidades sociais após terem participado do programa Semente, realizado em diversas escolas brasileiras com o objetivo de desenvolver o socioemocional de crianças e adolescentes. Impactos positivos foram verificados em todos os domínios avaliados: em empatia cognitiva emocional, variou 2,3%; em autoconhecimento, aumentou 13,5%; autocontrole, 13,9%, e as habilidades sociais, 7,2%.

O ensino de habilidades socioemocionais impacta também o desempenho nos estudos. De acordo com pesquisa do departamento de psicologia da Universidade de Chicago (EUA) realizada com 270 mil alunos da pré-escola ao ensino médio e submetidos ao aprendizado de competências socioemocionais, houve melhora de 11% em suas notas.

O preparo dos professores

Segundo o psiquiatra chileno Claudio Naranjo, indicado ao prêmio Nobel da Paz em 2015, o aluno aprende mais facilmente qualquer conteúdo quando uma didática afetuosa é adotada. Para ele, o educador tem função de levar o aluno a descobrir, refletir, debater e constatar. “Na Fundación Claudio Naranjo, criamos um método para formação de educadores baseado em mais de 40 anos de pesquisa. O objetivo é preparar professores para que se aproximem dos alunos de forma mais afetiva e amorosa, para que sejam capazes de conduzir as crianças ao desenvolvimento do autoconhecimento, respeitando suas características pessoais”, explica em entrevista à revista Época.

Para a diretora pedagógica Ana Célia Campos, a educação socioemocional requer um preparo diferente do educador, até então acostumado ao modelo de ensino focado na transmissão de informações, tendo o professor como o grande pilar de conhecimento. “Ao iniciar o processo da educação através do amor, o educador se depara com a tarefa do autoconhecimento. Isso significa que precisa estar consciente de suas emoções (especialmente as negativas) e limitações. Ao se descobrir, passa a se aceitar, mas sem deixar de lado a busca pelo aprimoramento que irá guiá-lo por um caminho mais suave em que dedica-se aos seus alunos da mesma maneira que se dedica a si próprio.

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Ansiedade na infância

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ansiedade atinge 9% da população brasileira, e os casos em pacientes mais jovens vêm aumentando. Cerca de 10% de todas as crianças e adolescentes têm (ou terão) algum tipo de ansiedade, de acordo com pesquisa desenvolvida por Fernando Asbahr, professor de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.

Ansiedade é uma reação que todo indivíduo experimenta diante de algumas situações do dia a dia, como falar em público, expectativa de uma viagem ou festa de aniversário, vésperas de provas, exames de saúde. Algumas pessoas, porém, vivenciam essa reação de forma mais frequente e intensa, que pode ser considerada patológica e comprometer a saúde emocional. 

De acordo com o DSM-5 (Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais), os transtornos de ansiedade incluem transtornos que compartilham características de medo e ansiedade excessivos e perturbações comportamentais relacionadas.

Medo é a resposta emocional à ameaça iminente real ou percebida, enquanto ansiedade é a antecipação de ameaça futura. O medo é com mais frequência associado a períodos de excitabilidade aumentada, necessária para luta ou fuga, pensamentos de perigo imediato e comportamentos de fuga. Os ataques de pânico se destacam dentro dos transtornos de ansiedade como um tipo particular de resposta ao medo. Já a ansiedade é mais frequentemente associada à tensão muscular e vigilância, em preparação para perigo futuro e comportamentos de cautela ou fuga.

Em crianças e adolescentes, os quadros mais frequentes são o transtorno de ansiedade de separação (TAS), o transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e as fobias específicas (FE), sendo a social a de maior incidência.

Reconhecendo os sinais

O TAS caracteriza-se por uma angústia excessiva da criança ao se separar dos pais e é mais comum em crianças menores, entre seis e oito anos de idade. Cenas dramáticas ocorrem durante despedidas. Depois que os pais vão embora, a criança fica com ideia fixa no reencontro: ela precisa saber onde estão e fica com medo de que algo terrível aconteça. Viajar sozinha incomoda, e ela pode se recusar a ir à escola, acampamento, a uma visita ou a dormir na casa de amigos. É comum o desenvolvimento de sintomas físicos, como dores de cabeça ou de estômago.

Já o TAG aparece mais comumente em adolescentes, mas pode afetar pessoas de todas as idades. É um quadro de preocupação excessiva ou expectativa apreensiva, persistente e de difícil controle, que perdura por seis meses no mínimo e vem acompanhado por três ou mais dos seguintes sintomas: inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbação do sono.

As FE são bastante comuns: medo de animais, avião, elevador, trovão. Podem se transformar em transtornos de pânico e fobias sociais quando não identificadas e tratadas adequadamente.

Apesar da existência de um quadro clínico para cada um, a maioria das crianças apresentará mais de um transtorno ansioso, a chamada comorbidade. A ansiedade pode até atrapalhar o desenvolvimento, mas o problema é quando altera o dia a dia impedindo a criança de ir para a escola, de entrar numa loja, ou trazendo problemas de convivência.

Os gatilhos

Podem existir aspectos biológicos envolvidos, porém o comportamento dos pais é bastante relevante. Pais ansiosos influenciam sim a saúde dos filhos.Se há muita cobrança, expectativa e pressão constantes para que a criança seja feliz 100% do tempo, tenha notas excelentes e eficiência máxima em tudo, a tendência é que os pequenos se tornem vítimas de uma ansiedade constante, pelo medo de falhar e de não cumprir com as expectativas dos pais. Por outro lado, se a família consegue filtrar demandas e informações, provavelmente terá maiores chances de criar filhos que saibam lidar melhor com expectativas e realidade.

É possível apontar ainda as características da vida digital, que tem “criado” crianças desacostumadas a esperar. Quem nasceu a partir de 2010, vive o imediatismo, já que a tecnologia dita o rumo das relações. Dessa forma, a paciência tornou-se uma qualidade que não se desenvolve sozinha. Cabe às famílias e à escola envolvê-las em situações e brincadeiras que promovam a vivência do raciocínio e espera.

Mais conexões

Nos casos mais sérios, a família deve buscar auxílio especializado. Na própria escola, é possível encontrar uma rede de apoio que irá ajudá-la a encontrar o melhor caminho. “Meu papel como Orientadora Educacional na Garatuja é ajudar os alunos a reconhecer os próprios sentimentos e saber o que fazer com eles. Os projetos socioemocionais trabalhados vão gerar autoconhecimento e desenvolver habilidades importantes na resolução dos conflitos internos. A parceria com as famílias é fundamental neste processo para, juntos, entendermos o momento e a particularidade de cada criança. Há situações em que o encaminhamento para um especialista é necessário, porém sempre com o acompanhamento próximo da escola para que a criança conquiste um conviver mais saudável e harmonioso”, explica Cristina Zanetti.

Ela pontua que as coisas mais simples da vida são as que promovem a maior conexão da criança consigo mesma e com as pessoas ao seu redor. “O brincar ao ar livre de pé no chão, o contato com a natureza, o desconectar-se da tecnologia, o permitir-se relaxar e respirar são atitudes que devem estar no cotidiano de crianças e adultos”, pontua. “Esses são momentos importantes de troca de afeto, que fortalecem a relação entre pais e filhos, em que as cobranças e pressões são deixadas de lado. São momentos que trazem conforto e equilíbrio, aliviando a ansiedade e resgatando a qualidade de vida!”, finaliza.

Fonte:

Revista Saúde

Blog Dráuzio Varella

Revista Crescer

Família na escola

Escola e família: novos caminhos para uma relação antiga

A escola do seu filho está aberta à participação das famílias? Você se envolve na educação das crianças em casa e na escola?

A relação escola e família vem passando por mudanças significativas, retratadas em recente estudo conduzido pelo Escolas Exponenciais* com 150 mil famílias de todo o Brasil. O relacionamento próximo e participativo com a escola é o aspecto mais importante para 41% das famílias na relação com a escola dos seus filhos. 

Por muito tempo, as escolas não investiram no engajamento familiar, pois achavam que não podiam. Os educadores acreditavam que as famílias não queriam se envolver. Na verdade, elas não faziam ideia de como poderiam ser mais participativas ou se sentiam, por vezes, hesitantes por não terem tempo livre. 

O fato é que, apesar dos “desencontros”, todos querem que essa relação melhore.

Comunicação sem entraves

Um envolvimento bem-sucedido dos pais pode ser medido por sua participação ativa e continuada. Em casa, eles podem ajudar as crianças em seus projetos escolares, ler um livro com elas e conversar sobre sua rotina e experiências na escola. No ambiente escolar, podem se envolver em atividades voluntárias com outros grupos de pais ou dentro da sala de aula. 

“É fundamental termos a família próxima na rotina escolar. Isso cria o sentido de comunidade”, explica Ana Célia Campos, diretora pedagógica da Garatuja Educação Infantil. “Contamos com diferentes programas, cada um com um propósito próprio, dando possibilidades às famílias de se engajarem naqueles com os quais sentem mais afinidade”.

A participação da família na comunidade escolar beneficia outro elemento importante em qualquer relação: a comunicação, que fica mais fluida e regular, desmistificando assim o processo de aprendizagem. 

E o desempenho da criança, como fica?

Educadores que focam no engajamento familiar sentem uma mudança significativa em seus alunos. Quanto mais os pais se envolvem na educação da criança, melhor sua motivação, comportamento e desempenho.

Quando famílias e educadores trabalham em parceria para criar um ambiente escolar próspero, o efeito nas crianças é profundo: desempenho, assiduidade e auto-estima melhoram.

Só que os alunos não são os únicos que se beneficiam: professores e pais também. Os educadores podem preparar as famílias a ajudar as crianças em casa com seus projetos e atividades. Pais engajados tendem a valorizar ainda mais o papel do professor.

Alunos com famílias participativas na escola são mais propensas a:

  • Melhor desempenho escolar
  • Melhor autoconfiança e motivação na sala de aula
  • Melhor habilidades sociais e comportamento

Para conhecer os programas com famílias da Garatuja, clique aqui.

*Escolas Exponenciais é a maior comunidade de inovação e gestão escolar do Brasil. Para saber mais, clique aqui.

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Por que as histórias são tão importantes para as crianças?

A contação de histórias é um mecanismo muito importante para que tenhamos, desde cedo, contato com diversas linguagens e formas de narrar um acontecimento, e a infância é a fase ideal para despertar esse interesse.

As histórias infantis levam as crianças para um mundo imaginário e simbólico, com o qual fazem associações com suas próprias vivências. Esse processo de identificação permite que criem meios de lidar com suas dificuldades, sentimentos e emoções e estimula a memória, já que resgata as experiências de cada um.

Os benefícios de ingressar nesse universo rico e mágico não param por aí. Por meio da contação de histórias, as crianças ampliam a linguagem oral e desenvolvem competências linguísticas e o letramento, que é o uso competente da leitura e escrita nas práticas sociais.

Tudo começa com o livro

De acordo com as coordenadoras pedagógicas Marieta Lefèvre e Karina Yada, das escolas Builders Educação Bilíngue e Garatuja Educação Infantil, é fundamental para qualquer criança ouvir histórias. “Pelo livro, aprendemos a importância de ouvir, contar e recontar”, explica Marieta. “Aqui na Builders, apresentamos histórias quase que diariamente em projetos de Cultura Brasileira e em inglês, ampliando assim o vocabuláriho nos dois idiomas”, completa.

Builders e Garatuja mantêm uma biblioteca circulante: os alunos levam livros à escola e estes irão circular semanalmente nas casas dos colegas para serem lidos pelas famílias. Quando retornam, as professoras conduzem rodas para troca de informações e livros. “São momentos muito inspiradores, pois estimulam conversas e situações problema para os alunos pensarem coletivamente”, explica Karina Yada.

Além disso, as duas escolas, que seguem a mesma proposta pedagógica, implementaram o “Storytellers”, programa em que as famílias participam das aulas por meio da contação de histórias. “A experiência tem sido fantástica em todos os sentidos. Cada família traz uma vivência e dinâmica diferentes, como a leitura de um livro, uma história cantada, a encenação de um conto ou até mesmo projeções como recurso para a contação, sem falar na incrível atmosfera criada com a presença da família na escola”, finaliza Karina.

Histórias em família

Por sinal, os pais são grandes incentivadores na formação dos hábitos na criança, e com a leitura não é diferente. Quem ouve histórias desde bebês e mantém o hábito de ler com a família desenvolve o senso crítico e alimenta a curiosidade em relação ao que vê no seu dia a dia. A influência em casa passa tanto pelas imagens que as crianças formam ao perceberem o hábito de leitura dos pais, quanto pela ação deles de conversar com elas sobre os livros.

Não é preciso estabelecer um padrão na hora de escolher a história, mas é preciso levar em consideração, por exemplo, a idade da criança. Durante os dois primeiros anos de vida, a atenção dos pequenos é conquistada pelas figuras. À medida que crescem, é possível combinar ilustrações a enredos simples, permitindo a criação de uma narrativa, em qualquer gênero literário.

Outro recurso é a criação de histórias, trazendo a narrativa para o mundo particular em que a criança vive. Se a imaginação falhar na hora da contação, os pais podem começar a elaborar tramas sobre a própria infância. Já, quando é a criança que vai criar a história, objetos e bonecos podem ajudar.

E então, que tal buscar agora alguma referência de leitura ou contação de história para compartilhar em família?

Autoconhecimento para crianças

Autoconhecimento: por que ensiná-lo às crianças?

Autoconhecimento estimula o olhar para dentro e é uma bela aula sobre nós mesmos. Aprender desde cedo a identificar nossos sentimentos, quais estímulos os despertam e como lidamos com eles nos permite crescer com mais sabedoria e equilíbrio.

Uma manhã ensolarada desponta. As crianças acabam de chegar na escola e se reúnem na sala para mais um dia de aula. A professora pede que todos se sentem em uma posição confortável, com as costas eretas, fechem os olhos e estejam atentos ao ritmo da respiração. Está começando uma sessão de meditação, momento de pausa para equilibrar as emoções.

Ao ser incorporada à rotina de qualquer ser humano, independente da idade, a meditação melhora a concentração, memória e qualidade do sono, aguça a percepção dos sentimentos, aumenta a autoestima e o controle emocional, sem falar na agradável sensação de relaxamento. Para as crianças, os efeitos são ainda mais expressivos, pois o cérebro, por estar em formação, é mais receptivo a estímulos. Na prática, isso se reflete em maior socialização, com impactos positivos no relacionamento com pais e colegas, e redução de sentimentos como raiva e tristeza.

Ciranda de emoções

Pega-pega, corre cutia, amarelinha, dança da cadeira, estátua, morto vivo. O que essas brincadeiras têm em comum? Alguém poderia dizer que colocam as crianças para correr. Outro, que ninguém mais lembra delas, pois fazem parte de um repertório infantil que não existe mais. Para a Academia Americana de Pediatria, elas são o remédio para o desenvolvimento mental e social, pois estimulam a linguagem, o relacionamento e a capacidade de resolução de problemas.

Um exemplo? Que tal brincar de faz de conta? A imaginação é estimulada, personagens são criados, sejam nas suas concepções psicológicas ou físicas. Ao criar histórias e enredos, as crianças exercitam sua capacidade de planejamento e resolução de problemas.

E os jogos eletrônicos, onde ficam? Os coletivos estimulam a inteligência emocional e ensinam lições, como aprender a ganhar e perder. Mas é muito comum vermos crianças e adolescentes (e adultos) isolados, com os rostos fixos em seus tablets ou smartphones, tendo como única interação a tela do aparelho, o que pode impactar a maneira como se relacionam e enxergam as adversidades da vida. É nesse sentido que as brincadeiras livres se diferenciam ao promover a conexão entre as crianças e ao estimular uma região do cérebro ligado à sensação de bem-estar e prazer, o que é um valioso antídoto anti-estresse. “Nosso cotidiano está bombardeado de informações e estímulos momentâneos, sendo a maioria no campo digital. Imagine ser uma criança ou adolescente nesse contexto”, pondera Ana Célia Mustafá Campos, diretora pedagógica das escolas Garatuja Educação Infantil e Builders Educação Bilíngue. “O equilíbrio é a chave. Como pais e mães, devemos estimular em nossos filhos a conectividade como um recurso importante, mas sem deixar de lado a mágica das brincadeiras, de pular, correr, estar em contato com a natureza e com amigos. Isso é essencial para a formação dos valores e visão de vida das crianças”, conclui.

De frente para o problema

A hora do almoço está quase no fim. Em uma das mesas do refeitório, uma aluna conversa com o último pedaço da maçã que resta. Para justificar a demora em se alimentar, ela diz “Os adultos sempre brincam antes de comer.” E como ela sabe disso? “Eu sei de tudo. Eu sei tudo sobre minha mãe, mas ela não sabe tudo sobre mim.”

Essa frase pode ter diferentes interpretações. Mas um fato é que nós, adultos, muitas vezes menosprezamos a capacidade de compreensão das crianças e evitamos falar sobre os sentimentos, quando deveríamos fazer justamente o oposto.

“Ensinar que cada emoção pode ser transformada em uma palavra é a chave que deve orientar uma criança, primeiro para compreender a si mesma e depois para entender o mundo”, explica Cristina Zanetti, orientadora educacional. “Crianças que apresentam problemas de comportamento geralmente têm dificuldades para lidar com as próprias emoções. Ajudar a identificar e nomear os sentimentos é algo que faz com que elas se sintam amparadas e cuidadas”, completa.

Saber o que fazer com cada emoção é um processo longo e adquirido por meio das vivências do dia a dia. A superproteção é um problema, pois não permite que a criança enfrente dificuldades, se decepcione e sofra as pequenas frustrações. Afinal, isso é a vida e precisamos do autoconhecimento para encará-la de frente!

O autoconhecimento para a vida

O que a meditação, o yoga, as brincadeiras livres e a boa conversa sobre sentimentos nos ensinam? Que ao estimular o olhar para dentro, os momentos de introspecção e paz, na mesma medida que adicionamos mais diversão e conexão com o outro na vida das crianças, permitimos que elas se enxerguem em suas fortalezas e fraquezas. Que aprendam com os altos e baixos com mais serenidade. Que vejam a si e aos outros com mais paciência e amor. Pensando bem, essas lições se aplicam aos adultos também, não é mesmo?

Adaptação à escola

Como lidar com a adaptação da criança à escola?

A entrada da criança pequena na escola é um momento muito especial. Um mundo de possibilidades se abre: novos espaços, relações, brinquedos, aventuras, histórias e atividades. Mas a vinda para a escola também representa uma primeira grande mudança na rotina familiar. Por isso, é preciso tempo e tranquilidade para que pais e crianças se sintam bem na nova rotina.

Para os responsáveis pela criança, a recomendação é que mantenham uma atitude positiva, segura e confiante. Mas o que isso significa na prática?

Tanta novidade representa para todos – especialmente para os pequenos – a entrada em um “universo desconhecido”, e cada criança tem sua forma e tempo para lidar com a situação. Para se ter uma ideia, um aluno pequeno pode levar de uma semana a meses para se adaptar, não há um padrão. Logo, a primeira recomendação às famílias é que aceitem as reações da criança com naturalidade, evitando cobrar qualquer tipo de comportamento e comparações com outros alunos ou filhos.

Rotina e choro

É necessário também atenção à rotina. Como a entrada na escola em si já representa uma ruptura, o ideal é que outros aspectos do cotidiano da criança não sejam alterados: horários, babá, fralda ou chupeta, por exemplo.

E como lidar com o choro? É fundamental não deixar-se abater por essa reação, que é comum nessa fase de mudança. O choro pode ter vários significados: insegurança, medo, frustração e até irritação. Como parte do seu desenvolvimento, a criança precisa aprender a lidar com essas emoções. Então, quando o choro aparecer, o melhor a fazer é reforçar que a escola é importante. Mostre empatia, diga à criança que entende sua emoção, mas que ela vai conseguir superar. Nessa hora, é preciso firmeza.

Parceria escola e família

Por fim, a observação deve ser diária. Família e escola devem atuar juntas para diminuir o estresse da criança, e atitudes acolhedoras de professores e assistentes trazem conforto. Passar menos tempo na escola e ir aumentando o período de aula gradativamente também ajuda a aliviar o estresse.

Na Garatuja, na primeira semana de aula, o responsável pela criança (de 1 a 3 anos de idade) permanece no mesmo ambiente que ela por duas horas diárias, nos dois primeiros dias de aula. A partir do terceiro dia, o responsável já pode se afastar à medida que o aluno se sente seguro. A recomendação é que o  responsável respeite os movimentos da criança, sem forçá-la a nada, e o afastamento é trabalhado de forma gradual.

Alimentação na infância

Alimentação na infância: quais os cuidados e por que famílias e escolas devem estar juntas?

A fase pré-escolar, que vai dos dois aos seis anos de idade, é considerada de extrema importância para a saúde. É nela que a criança passa a formar hábitos e comportamentos alimentares para toda a vida.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, há mais de 40 milhões de crianças obesas com até 5 anos em todo o mundo, e a falta de informação e os maus hábitos estão entre as principais causas.

Nessa etapa de vida, família e escola são os principais modelos para os pequenos. A família é o primeiro núcleo de integração social e exerce forte influência na alimentação infantil, enquanto que a escola é o primeiro contato da criança com refeições fora de casa.

Uma alimentação ideal garante um bom rendimento de aprendizagem durante as aulas. Quando se alimenta bem, a criança tem mais facilidade de aprender e de se concentrar, ficando bem disposta para as atividades.

O papel das famílias e da escola

A escola deve promover a saúde com refeições equilibradas e saudáveis, sempre de acordo com as necessidades nutricionais de cada aluno e faixa etária. Deve também implementar estratégias que promovem a boa alimentação, como a inclusão de conteúdos de nutrição no currículo escolar e na formação dos educadores e o contato das crianças com os alimentos por meio de dinâmicas e cultivo de hortas, fazendo com que se familiarizem com os alimentos e tenham vontade de experimentá-los.

“A educação alimentar dos alunos é muito importante. Uma alimentação equilibrada é essencial para garantir boas condições nutricionais, que muito além de trazer saúde, irão promover o aprendizado, otimizando o desempenho escolar”, informa Karina Yada, coordenadora pedagógica da Garatuja Educação Infantil. “Toda a equipe pedagógica deve ser inserida nesse processo, desenvolvendo projetos e estratégias com o objetivo de estimular as crianças a provar novos alimentos”, finaliza.

Em casa, é necessária uma continuidade ao trabalho de conscientização e educação feito na escola. A recomendação é:

  • O consumo de alimentos saudáveis, dando preferência aos in natura, como frutas, verduras e legumes.
  • Redução do consumo de alimentos ultraprocessados, que passam por técnicas e processamentos com alta quantidade de sal, açúcar, gorduras, realçadores de sabor e texturizantes. Exemplos: enlatados, embutidos, preparações instantâneas, refrigerantes, salgadinhos, sorvetes, biscoitos recheados.


Você sabe como lidar com uma criança difícil?

Criança difícil: você sabe como lidar?

Muitos pais e mães se queixam que seu filho é difícil, que costuma se comportar de forma inadequada, batendo, tendo acessos de raiva, falando palavrões ou simplesmente desobedecendo.

Claro que nenhuma criança é igual à outra, e não existe receita, mas certamente o caminho para lidar com crianças difíceis passa pela comunicação e pelo afeto.

Algumas crianças manifestam comportamentos difíceis desde pequenininhos: acordando várias vezes à noite, chorando muito, demonstrando braveza quando contrariados.

Muitos pais, por sua vez, não sabendo lidar com os caprichos infantis acabam sendo manipulados, não colocam limites e fazem de tudo para agradar o filho, tornando-o uma criança mimada – o reizinho da casa!

Criança sem rótulos, com limites

Limites claros são muito importantes. São a base principal para desenvolver uma convivência harmoniosa e saudável entre pais e filhos.

Converse com seu filho sobre a importância do cumprimento de regras e façam combinados, assim vão evitar muitos conflitos. Por outro lado, fique atento, pois regras muito rígidas não são saudáveis e podem causar retraimento, raiva, desrespeito e até mesmo rebeldia. Ouça o que seu filho tem a dizer. Diga ao seu filho o que você pensa e espera dele. O diálogo é fundamental!

Educar não é nada fácil e dá trabalho, sobretudo quando vivemos em uma sociedade que estimula tanto a competitividade. A constante comparação que fazemos do nosso filho com o próprio irmão, primo, coleguinha de classe ou vizinho é muito negativa, causa baixa autoestima e pode desenvolver ansiedade. Cada criança é única e diferente das demais. Deve ser respeitada no seu jeito de ser e jamais diminuída, rotulada ou ridicularizada.

Crianças que apresentam problemas de comportamento geralmente tem dificuldades para lidar com as próprias emoções. Ajudar a identificar e nomear os sentimentos é algo que faz com que a criança se sinta amparada e cuidada. Ensinar que cada emoção pode ser transformada em uma palavra é a chave que deve orientar as crianças – primeiro para compreenderem a si mesmas e depois, para entenderem o mundo.

Perceber que todo ser humano sente as mesmas emoções pode trazer um grande alívio, por isso converse com o seu filho contando quando e porquê você sentiu a mesma emoção que ele está sentindo. Conte também o que fez na ocasião para lidar com aquela emoção.

Saber o que fazer com cada emoção é um processo longo e adquirido através das vivências do dia a dia. Por isso não proteja demais o seu filho. Deixe que ele enfrente dificuldades, se decepcione e principalmente que sofra as pequenas frustrações para que aprenda a adiar a satisfação imediata; afinal,  o mundo não será sempre como ele deseja.

A inteligência emocional não é nata, é uma habilidade que se aprende e precisa ser exercitada!

Por Cristina Navarenho Santos Zanetti, Educadora, Psicóloga e Orientadora Educacional nas escolas Builders Educação Bilíngue e Garatuja Educação Infantil

Educação através do amor Garatuja

Educação Através do Amor: conheça essa incrível ideologia

Por Ana Célia A. Mustafa Campos*

Você já ouviu falar da Educação Através do Amor? Ela foi pensada para garantir que o processo de ensino e aprendizagem seja permeado de carinho, atenção e disponibilidade para ouvir o aluno.

A ideologia surgiu há 20 anos, no nascimento de nossa primeira escola, com foco no emocional para a formação do ser humano e uso do conhecimento para o bem comum, e não em benefício próprio.

Como ensinar a Educação Através do Amor?

Ao iniciar o processo de ensinar Através do Amor, os educadores se deparam com a tarefa do autoconhecimento, de estarem conscientes de suas emoções (especialmente as negativas) e limitações. Ao aceitá-las, descobrem a si próprios, se aceitam, mas sem deixar de lado a busca pelo aprimoramento que irá guiar os educandos por um caminho mais suave. 

Quando o educador abraça a causa da Educação Através do Amor, dedica-se aos seus alunos da mesma maneira que se dedica a si próprio. Isso significa que:

  1. Ele busca garantir que sua equipe, parceiros, alunos e pais estejam em concordância com a verdade, a paciência, o gosto por dividir, a alegria por vivenciar momentos que despertarão aprendizados em todos os níveis. 
  2. Alimenta-se bem, exercita-se, cuida da saúde e do espaço que utiliza, está em contato com a natureza e garante que ela se perpetue sem abusar de seus recursos.
  3. Tem a certeza de que seus alunos são capazes e não desiste de nenhum.
  4. Busca não julgar. Quando o faz, tenta sair do estereótipo do “normal” para encarar a situação real e a busca pela melhor possibilidade para cada um. Sustenta seu grupo em uma vibração afetiva e de aceitação.
  5. Encanta-se ao perceber a beleza da diversidade e não tenta enquadrar todos no mesmo modelo. Cada um deve vivenciar as suas próprias experiências para se compreender.

A Educação Através do Amor permite que o educador se encontre, se perceba, melhore suas práticas e aprenda com os alunos, permitindo que eles se conheçam também, façam escolhas adequadas para si e lidem melhor com as necessidades do mundo, tornando-se adultos mais capazes e bem resolvidos emocionalmente.

O maior propósito da Educação Através do Amor é possibilitar que os envolvidos – pais, professores ou funcionários da escola – vivenciem o autoconhecimento e ajudem outras pessoas a se encontrarem e identificarem o seu propósito de vida. 

Fica aqui o meu convite para você conhecer a Educação Através do Amor!

Para mais informações sobre a Educação Através do Amor, clique aqui.

*Ana Célia A.M. Campos é Diretora Pedagógica das escolas Builders Educação Bilíngue e Garatuja Educação Infantil

Equipe BG 2018

Como gerir uma escola?

* Por Ana Paula A. Mustafá Mariutti

Assim como muitas empreendimentos educacionais de gestão familiar, a história da Builders Educação Bilíngue e da Garatuja Educação Infantil (BG) não foi diferente. Eu e minhas duas irmãs, todas formadas em Pedagogia, iniciamos um negócio que começou pequeno, em que inicialmente dávamos aulas e fazíamos todo o resto do trabalho. Isso demandou formação contínua de nossa parte para que, com o crescimento no número de alunos, deixássemos de ser professoras para gerir o que se tornou um negócio com um lindo propósito e que desejamos que se mantenha sustentável por muitas gerações.

Da esquerda para a direita: as fundadoras da BG Ana Célia M. Campos (Diretora Pedagógica), Ana Lúcia A. Mustafá Nunes (Diretora Financeira) e Ana Paula A. Mustafá Mariutti (Diretora Administrativa)

Sempre nos cercamos de assessores para nos ajudar nas expertises que não tínhamos, especialmente nas áreas financeira e administrativa. E o que aprendemos? Que ferramentas de gestão, aplicadas em empresas de diferentes segmentos, mas pouco comuns na área de educação no Brasil, são essenciais para garantir a saúde de um negócio em todos os aspectos. E assim seguimos com a implementação de um plano estruturado, totalmente inovador para o segmento, que permitiu profissionalizar a administração das escolas, mas sem perder nossa ideologia, a Educação através do Amor, e o cuidado com pessoas, características que sempre nos destacaram.


O passo a passo para a gestão escolar


O processo de profissionalização das escolas foi gradual, seguindo um plano com metas de curto, médio e longo prazo, e que atualmente compõe um cenário bem estruturado, com líderes preparados para a gestão de seus colaboradores e equipes bem alinhadas.

Mas, afinal, de quais recursos dispomos hoje? Alguns exemplos são:

  • Descrição de cargos;
  • Workshops semestrais com colaboradores para reforço da ideologia das escolas;
  • Manuais de áreas com procedimentos específicos de cada função;
  • Manuais de colaboradores e pais com as principais normas da escola;
  • Processos e fluxogramas multifuncionais;
  • Política de Segurança da Informação;
  • Registro das atas de reunião com acompanhamento de pendências;
  • Planilha de gestão de tempo para definição de prioridades;
  • Esquema de trabalho baseado em reuniões de alinhamento, definição de tarefas e responsáveis, gestão por competências e feedback contínuo para avaliação dos resultados.
  • Processo de feedback estruturado envolvendo avaliação 360º e avaliações individuais.

Acreditamos que estas ações foram chave para o sucesso e longevidade das nossas escolas. O objetivo sempre foi manter negócios sustentáveis, o que significa que as melhorias e a busca por processos, sistemas e técnicas de gestão inovadoras estão no DNA da BG, garantindo que as futuras gerações possam continuar contando com a mesma qualidade de serviço que prestávamos quando abrimos as escolas e atuávamos como professoras em sala de aula.

* Ana Paula A. Mustafá Mariutti é diretora administrativa da Builders Educação Bilíngue e da Garatuja Educação Infantil