Educação socioemocional

Conversamos com a Ana Célia Mustafá Campos, diretora pedagógica da Garatuja, para entender o que é a Educação Através do Amor, ideologia que nasceu com a escola. Confira a seguir esse bate-papo delicioso.

Como surgiu a ideologia da Educação Através do Amor?
Eu e minhas irmãs sempre tivemos o sonho de ter uma escola, e nossas experiências anteriores como educadoras nos mostraram que o elemento socioemocional é fundamental para o desenvolvimento das crianças no ambiente escolar. Também sempre buscamos trabalhar com o que há de mais inovador na área. Alguns anos antes de abrirmos a Builders Educação Bilíngue, escola-irmã da Garatuja fundada em 1997, vimos o quão impactante foi a implementação do conceito de aprendizagem socioemocional na rede escolar norte-americana, por volta de 1994. Logo, o nosso projeto de escola sempre esteve ligado à proposta da Educação Através do Amor, que significa garantir que o processo de ensino e aprendizagem seja permeado de carinho, atenção e disponibilidade para ouvir o aluno.

Em quais fundamentos ela se baseia?
O principal é o autoconhecimento. Ele auxiliará em todos os aspectos da vida de qualquer ser humano: nas tomadas de decisões, na maneira de conduzir os relacionamentos, no autocuidado ou no contato com o ambiente onde está inserido.

Como preparar o educador para a Educação Através do Amor?
Ao iniciar esse processo, o educador se depara com a tarefa do autoconhecimento, que mencionei anteriormente. Isso significa que precisa estar consciente de suas emoções (especialmente as negativas) e limitações. Ao se descobrir, passa a se aceitar, mas sem deixar de lado a busca pelo aprimoramento que irá guiá-lo por um caminho mais suave. Quando o educador abraça a Educação Através do Amor, dedica-se aos seus alunos da mesma maneira que se dedica a si próprio.

Como funciona na prática?
Estimulamos todos os colaboradores a manter uma alimentação equilibrada, se exercitar, cuidar da saúde e do espaço que utilizam e estar em contato com a natureza. Eles têm à disposição os programas de bem-estar, com aulas gratuitas de inglês, português, yoga, coral e fitness, e de educação socioemocional com nossa Orientadora Educacional. Para nós, os conceitos de Educação Através do Amor e sustentabilidade se complementam inteiramente; isso se não puderem ser considerados sinônimos. A partir disso, os colaboradores desenvolvem um olhar mais empático e cuidadoso com o colega de trabalho, os alunos e suas famílias, amigos, parceiros.

Isso significa então que a sustentabilidade vai além do cuidado com a natureza?
Sim. O conceito é muito mais amplo. Para nós, é o equilíbrio entre os seres, suas relações e o meio em que vivem. O mesmo cuidado que tenho com um outro ser humano é o que terei no contato com a natureza e vice-versa. É isso que permite que formemos cidadãos conscientes, justos e que não vejam valor apenas naquilo que traz benefício individual, mas no que beneficia a todos.

E como aplicar a ideologia no ensino das crianças?
Em termos de programas oferecidos, temos praticamente os mesmos que mencionei para os colaboradores. Além disso, os alunos têm cinco minutos de meditação antes de cada aula. A Orientadora Educacional desenvolve várias atividades, de acordo com a faixa etária da criança, com o objetivo de despertar o autoconhecimento, a abertura para discutir sentimentos e o olhar empático e respeitoso com as outras pessoas. Ela também está sempre disponível para uma conversa individual com os alunos. Nossos professores exercem o papel de mediadores, ou seja, eles não são donos da razão, eles entendem e promovem a troca de conhecimentos. Afinal, aprendemos muito com as crianças. .

E isso também tem a ver com a educação do século XXI, não?
Sem dúvida. Acredito que o advento de novas tecnologias, que ampliaram o papel da comunicação, e o uso de smartphones e redes sociais contribuíram nesse processo de repensar a educação. A forma como crianças e adultos buscam informações mudou completamente. É por isso que hoje se fala tanto do aluno e escola do século XXI. Basicamente, isso quer dizer que as instituições de ensino devem prover ambientes educacionais que favoreçam a troca e pesquisa. Fisicamente, falamos de sair do formato tradicional da sala de aula com carteiras, um quadro negro e o professor lá na frente, como detentor único do conhecimento. O que vale são os espaços flexíveis, multiuso, que permitam a interação dos alunos com o professor e colegas. E, mais uma vez, o professor vira mediador.

Por fim, como você vê a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC)?
Temos grandes evoluções. O projeto foi aprovado em 2017, e as escolas estão discutindo como implementar as novas resoluções até 2020, que é o prazo oficial. O maior ganho foi inserir o ensino socioemocional no currículo. O maior desafio está em preparar o corpo docente para essa nova realidade. Falamos de profissionais habituados a exercer um formato de ensino que está mudando. São pessoas muito competentes, mas que precisam de suporte e treinamento para exercer plenamente o novo papel que lhes será exigido. Particularmente para a Garatuja, essa transição é tranquila, pois a educação socioemocional e a ideologia da Educação Através do Amor são a mesma coisa. Ou seja, ela já está em nosso DNA. É só uma comprovação de que sempre estivemos no caminho certo.

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